Comida de verdade para o desenvolvimento da criançada

Nutricionista dá orientações sobre introdução alimentar dos pequenos

Quando o assunto é criança, uma das maiores preocupações das famílias é com a alimentação dos pequenos, em especial, logo após a fase da amamentação. E são nas primeiras “colheradas” que a criança conhece o universo dos sabores, passando pelas papinhas, comida picadinha até a refeição completa, um processo que deve ser feito de forma saudável, pois vai contribuir para o crescimento e desenvolvimento correto da meninada.

Kátia Souza, nutricionista do Grupo Mateus, detalha o processo de evolução alimentar com a indicação do melhor momento para a introdução de novos sabores. “Desde o nascimento até os seis meses de vida, o leite materno é o primeiro e deve ser o único alimento na vida da criança. Ele contém anticorpos e outras substâncias que protegem o bebê de infecções, como as respiratórias, de ouvidos, diarreias e outras. A partir dos seis meses, é chegada a hora de conhecer os alimentos. Nessa idade o bebê está pronto para receber de forma lenta e em pequenas porções, alimentos complementares, papa de legumes, verduras, carnes e cereais, papas de frutas e água. Surge também a necessidade de obter mais nutrientes, já que o leite por si só não é mais capaz de suprir as demandas desse desenvolvimento”.

Mas o leite materno deve continuar até o segundo ano de vida do bebê. A recomendação é começar aos poucos. No início, o bebê tende a devolver as primeiras ofertas de alimentos, pois tudo é novidade, a colher, a consistência e o sabor. O importante é ter paciência e continuar oferecendo até a criança se adaptar. “Pelo oitavo mês, a criança já está sendo alimentada com duas porções de frutas, uma papa salgada no almoço e outra no jantar, além do leite materno”, detalha a nutricionista.

Não há regras sobre os tipos de alimentos que devem ser apresentados primeiro, mas, normalmente, as crianças preferem os sabores mais adocicados, como os da banana, pera, mandioquinha e abóbora. “Pode começar por aí, mas não se restrinja. Doce, amargo, azedo e salgado. Elas precisam ter contato com todos os sabores para conhecer as diferenças e aperfeiçoar o paladar”, explica a nutricionista. A alimentação da criança deve ser variada e composta de alimentos frescos e coloridos.  Todos os alimentos devem ser preparados e servidos na hora.

Ao colocar alimentos no prato, amassar com o garfo. Se necessário, passar na peneira nos primeiros dias. Não triturar os alimentos no liquidificador.

Muito cuidado com produtos industrializados ou ricos em açúcares. “Eles podem viciar o paladar do bebê fazendo com que ele não aceite o que deveria no caso frutas, legumes verduras, comida de verdade, além de poder causar doenças muito cedo na criança como diabetes, a obesidade infantil ou pode alterar colesterol e triglicerídeos”, pontua.

Está precisando de ajuda em casa nesse momento? Listamos 5 dicas indispensáveis no preparo da comidinha de verdade do bebê. Veja!

1- Amassada e aos pedaços

O método BLW (do inglês baby-led weaning) consiste em deixar alimentos cortados ao alcance da criança, que se serve da maneira que quiser. Desde que se popularizou, ele vem causando polêmica. Os estudos se dividem entre os que apontam os ganhos dessa autonomia e os que dizem não haver vantagem nutricional no método. O melhor é mesclar as duas formas. As frutas podem ser dadas em pedaços, para comer com as mãos. Outras refeições ficam melhor amassadas. A especialista Kátia Souza reforça a importância de oferecer diferentes consistências para o bebê. “Dê o gomo da laranja em vez do suco, deixe chupar um pedaço de carne. Quanto mais ele aprende a mastigar com a gengiva, melhor será o direcionamento dos dentes ao nascerem.”

2- A regra dos 15

Você deu um caqui, ele cuspiu. O maior erro é assumir a derrota e deixar a fruta de lado. Primeiro porque é natural que o bebê jogue os alimentos para fora com a língua. Afinal, ele está imitando o movimento de sucção. Mas mesmo quando ele não quer comer de jeito nenhum, dá para tentar mais.

“Os pais devem oferecer de 12 a 15 vezes o mesmo alimento para que o bebê aprenda a gostar”, diz nutricionista. A insistência não pode ser feita de qualquer maneira. O ideal é que se espere alguns dias para tentar novamente e que o alimento venha apresentado de diferentes maneiras. Por exemplo, um dia a cenoura vem ralada no arroz, depois, cozida em pedaços. No terceiro dia, tente purê ou bolinhos, e por aí vai", sugere.

3- Doce para que te quero

Brigadeiro é tão gostoso que fica difícil resistir. É claro que, cedo ou tarde, o seu filho será apresentado a ele (as festas de aniversário estão aí para promover isso). No entanto, você não precisa incentivar esse encontro. “A criança tem necessidade de carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas, sais minerais e água. Durante o primeiro ano de idade, o doce deve vir apenas das frutas. Após esse período, se ele for muito necessário, tente substituir o açúcar refinado por mel ou açúcar mascavo”, aconselha a nutricionista.

4- Cuidado com o sódio

Independente da idade da criança, o sal deve ser consumido com moderação, por conter sódio, que também está presente nos alimentos e nos temperos ultraprocessados. O sódio aumenta as chances de desenvolvimento de algumas doenças, como a hipertensão.

5- Tempero na medida certa

Os temperos naturais acrescentam sabor e aroma à comida. Em todas as preparações, dê preferência às ervas frescas, secas, condimentos naturais e especiarias. Eles acrescentam sabor, aroma e nutrientes à comida, além de permitir que a criança perceba a sutileza dos sabores de cada alimento.

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