Cuidado com as compras por impulso!

Especialistas alertam: quarentena pode disparar ansiedade e trazer problemas financeiros

A quarentena levou o jornalista Igor Luiz para o trabalho home office há quase duas semanas. A rotina que antes envolvia ir trabalhar, pegar trânsito e voltar pra casa, agora resume-se a ir do quarto pra sala e da sala pro quarto novamente. “Um tédio, mas que é necessário nesse momento de isolamento. Quando não estou trabalhando eu costumo ver algo na tv, ouvir uma música coisas pra distrair”, explica o jornalista. 

 

Com mais tempo livre em casa o Igor acabou caindo na tentação das promoções online e comprou alguns equipamentos de trabalho pela internet. “Algumas coisas eu já precisava, mas admito que acabei comprando mais do que devia por puro impulso consumista”, admitiu. 

 

Compras por impulso não são incomuns, mesmo em períodos de normalidade, e mais ainda em situações de mudanças radicais na rotina. “A pandemia mudou as nossas vidas em todos os sentidos. Alguém que estava acostumado a sair, passear, agora se vê preso em casa e isso dispara a ansiedade, ou mesmo depressão”, explica a psicóloga Flávia Vieira. 

 

 

E é justamente essa combinação de ansiedade e tempo livre que leva muita gente a se endividar e ter problemas maiores. A publicitária L.S prefere manter-se em sigilo, mas conta que o prejuízo foi grande já na primeira semana de quarentena. “Eu me assustei com o início do isolamento social, fiz supermercado pra dois meses e não tinha necessidade. Além disso ainda comprei panelas pela internet só porque estavam em promoção. A fatura do cartão vai ser quase o dobro do que normalmente é”, destacou a publicitária.

 

A psicóloga Flávia Vieira explica que o comportamento da publicitária pode ser classificado com o chamado efeito manada. “As pessoas entram em pânico e ao verem outras lotando o supermercado também vão atrás, como uma manada desgovernada. A pandemia trouxe essa realidade para o  comportamento do consumidor, por isso é importante ressaltar que não há necessidade de ter esse pensamento alarmista”, diz Flávia. 

 

O universitário Pedro Valdez escapou das promoções online, mas é o delivery de comida que tem dado trabalho no orçamento do estudante. “Eu estava pedindo jantar quase todo dia, mas agora to dando uma equilibrada, senão eu quebro antes do fim do mês”, brincou o estudante. 

 

Em tempos de isolamento social o bom é ficar em casa e aproveitar os serviços que podem ser resolvidos pelo smartphone ou computador, a psicóloga Flávia Freire explica que não há problemas em fazer compras para satisfazer uma vontade, mas é preciso ficar atento aos sinais que indicam a compulsão por gastar. 

 

“Quando esse momento acaba virando rotina, ou quando a ansiedade só alivia ao fazer compras, aí nessas horas é preciso buscar ajuda. O isolamento social deve durar mais algum tempo, então é preciso cuidar da saúde mental para viver em paz esse período”. 

MATEUS E VOCÊ

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