Lockdown: será que as crianças entendem a mudança na rotina?

Especialista defende a importância da manutenção das atividades em casa durante isolamento social

O dia da designer Luciana Rodrigues costumava começar sempre no mesmo ritmo: despertar logo cedo, fazer café da manhã, acordar e dar banho nas duas filhas, levar para a escola e seguir para o trabalho. Correria que virou hábito, e ela já nem sentia mais o tempo passar. “Era automático, levar as meninas pra aula e só depois ir trabalhar. Já fazíamos isso há dois anos seguidos, agora mudou tudo de uma vez”, comenta Luciana. 

 

Com duas filhas pequenas em casa - Ana de 6 anos e Júlia de 3 - a rotina das meninas era prioridade. Com o início da quarentena e depois, o lockdown (bloqueio total), as aulas foram suspensas e passaram a ser on-line. “Agora imagina explicar para duas crianças que a professora vai aparecer no tablet e dar aula de longe? Foi bem difícil esse começo, principalmente pra Júlia que é mais nova”, pondera a designer.

 

Luciana também precisou se desdobrar para dar conta do trabalho em home office na companhia das meninas. Depois que as aulas acabam, elas se distraem brincando, mas acabam pedindo pela atenção da mãe o tempo todo. “Eu faço muita teleconferência pelo celular enquanto estou cuidando delas. Tem que ser assim, porque elas também estão passando por dificuldades, por não poderem ir lá fora brincar”, lamenta a mãe.

Atividades e horários

 

As angústias vividas pela família da Luciana são hoje bastante semelhantes em muitos outros lares, diante da pandemia do novo coronavírus. Muitos ficaram em casa com os pais, avós e irmãos, mas os adultos nem sempre estão preparados para esse tempo a mais que as crianças estão passando em casa.

 

O psicólogo Raphael Negrão explica: “É preciso entender que a mudança, para os pequeninos, é difícil também. As crianças entendem que algo está acontecendo:  de repente, a brincadeira de rua, a visita à casa dos amigos, ou mesmo ir para a escola, não é mais algo seguro.”

 

Especialistas apontam que a rotina familiar precisa ser mantida, mesmo com as alterações impostas pelo isolamento, para que tudo seja absorvido com mais tranquilidade pelas crianças. “Tomar café juntos, estudar no mesmo horário das aulas presenciais, almoçar e tomar banho nos mesmos horários de antes. Ao ponto em que essas crianças entendam que houve mudanças, mas que a vida continua seu ritmo” exemplifica o psicólogo.

 

Enquanto as aulas não voltarem, Luciana se divide entre as filhas e o home office, mantendo o ritmo de estudo e de trabalho com as crianças até a pandemia passar. “Quando tudo isso passar e as atividades forem retomadas, certamente as crianças vão gostar mais de ir pra escola, passarão a valorizar muito mais a amizade e os momentos de lazer fora de casa. Terá valido à pena!", conclui.

© 2020 by Takashi Comunicação